Voltar para os contos
GlockenspielMagiaAventuraMemórias

Memór1as ao vácuo

22 de agosto de 20265 min de leitura

-- Pronto Reginaldo, não tem mais armadilha arcana, agora faz sua mágica. – Digo satisfeito com a própria proficiência.
Enquanto aguardo o ladino abrir a porta dupla do cofre, coloco o cachimbo na boca, não acendo, afinal não sou nenhum idiota, é apenas a força do hábito. Tenho uma sensação que estou esquecendo de algo e era importante, o contratante havia me confidenciado alguma coisa a sós. “Enfim, vida que segue”.
Ouço o barulhinho gostoso de uma fechadura sendo destrancada, Régi terminou o seu trabalho. Ele abre uma das portas e nos deparamos com um salão enorme, vários pedestais de mármore sustentam diferentes artefatos valiosíssimos, desde jarros de jade trazidos do oriente, armas com runas cravejadas exalando magia até pequenas caixas ornamentadas que me fazem querer passar horas apostando para ver quem descobre o que tem dentro.
Antes de entrarmos, analisamos tudo, cada qual observando o que está mais acostumado: Régi armadilhas, O Brutamontes do Quebra-dentes observa nossa retaguarda e eu conjuro um feitiço para detectar magia no ambiente. Quando termino de recita-lo a sala se torna muito mais brilhante e quase chego a salivar, mas “FOCO, FOCO!”, não temos como sair carregando tudo e depois do joinha do meu companheiro, adentro a sala sabendo que está seguro, nosso segurança também entra e não resiste ao ver um baú aberto, com dezenas de moedas de outro dentro.
-- HEHE, esse é meu, tirem o olho.
Ninguém estava dando muita atenção a ele, também pegamos uma coisa ou outra que avaliamos ser mais leve e mais valiosa que um baú cheio de moedas, até que vemos, ao fundo, na esquerda da sala, quase que escondida por uma parede que parecia estar de propósito ali pra estante não chamar atenção, mas basicamente ela parecia apenas ocupar espaço.
-- Glock, vem comigo, mesmo esquema da porta principal, quando eu abrir as portas de vidro da escrivaninha tu acha os pergaminhos e metemos o pé.
-- Oxe, agora tu viraste meu chefe, foi? – comento sem conter o sorriso e Régi abre um sorriso também.
-- IIH!! – solta o ladino logo antes do barulho de um campo de energia se formando.
Entre os dois pedaços de parede surge um campo de energia que parece brilhar nas cores do arco-íris e agora ficam visíveis runas entre as paredes e as estantes que ficam ao seu lado.
-- Fascinante esse sistema de segurança. PORRA RÉGI, o que tu fez ai?! - migro entre a admiração e a revolta.
-- Foi mal, meu rei, mas já tô abrindo aqui, você não consegue desfazer esse campo de força não?
-- Bem eu já consegui desfazer um firewall certa vez.
-- O que diabos é um firewall?!
-- Ah, é barreira de fogo no idioma anão.
--Então manda ver!
Envolvo minhas mãos com uma película mágica e toco a parede de energia, tento fazerem ressoar na mesma frequência, tentando achar um ponto fraco para eu penetrar e desfazê-la. Falho miseravelmente na minha tentativa, mas percebo uma coisa, essa sala está selada a vácuo “acho melhor não contar isso ao Reginaldo”.
Olho para ele e o mesmo já havia aberto as portas de vidro de um estante e estava correndo para a outra, vejo-o parar, pegar um escudo que estava sob um dos pedestais e arremessar na outra porta que se estilhaça enquanto o escudo bate nos pergaminhos e joga alguns no chão.
-- Ta maluco?! Assim você vai danificar os pergaminhos. – Esbravejo para ele.
-- Já estamos na merda mesmo, mas você tem razão. Ué, pq a barreira ainda ta ai?
-- Então...não deu.
Régis arregala os olhos desesperado. Nós dois olhamos para imagem turva do outro lado, Quebra-dentes enfiando pedras preciosas nos bolsos. Vemos ele se assustar e olhar para porta principal, só então ele olha para nós e se da conta que estamos presos. O homem saca o machado grande preso nas costas e faz um movimento em arco depois de saltar na direção da barreira. O machado acerta, parece quicar e com a mesma força que veio ele volta, arremessando o homem para longe.
Começamos a gritar para ele, vemos ele levantar atordoado, aponto para um martelo de guerra que sei ser mágico para ele, começo a falar para pega-lo, mas ele faz um gesto de que não ta escutando. Da de ombros, pega o baú com as moedas e sai correndo.
--MALDITO, SALAFRÁRIO, TRAIDOR!! – Régis começa a gritar.
-- Espera, é isso! Me lembrei, o Zheo havia me dito o que fazer numa emergência.
-- Graças aos deuses o mestre sabe das coisas, anda faça!!
“Silêncio”
-- Eu me esqueci. – coço a cabeça sem jeito.
Vejo Régis pegar sua adaga e partir em minha direção.
-- Espera, espera!! Eu estava bêbado. Mas eu lembro de algo.
Régis bate com o cabo da adaga na minha cabeça e cruza os braços esperando minha resposta.
-- Eu me lembro que após ele dizer, me lembrei de quando dava aulas numa escola de magia.
--Porra! E em que isso nos ajuda? – Régi possesso descruza os braços e já gira a adaga na minha direção novamente.
-- Se aquiete homem!! Se eu contar a história, devo me lembrar. Só preciso de um gole para atiçar a memória. – Digo já pegando um cantil de dentro do meu casaco e bebendo metade do conteúdo.
-- O chefe tava maluco quando te contratou, você já vai ficar bêbado de novo.
-- É pra melhor simular o momento da conversa com o Zheo, fica de boinha. Pois bem, foi há uns 10 anos...
“Tudo começou quando virou febre entre os alunos o uso de um papiro que permitia que eles se comunicassem a distância...”

Apreciou esta crônica?

Notas do Bardo

“Dizem que o rei proibiu pergaminhos com luz própria, alegando que retiram a produtividade dos camponeses. Mal sabe ele que estamos todos apenas esperando o próximo episódio das Crônicas de Dragão-Z.”