Memórias de 2agreus
Enquanto eu ia pegando os pergaminhos “encomendados”.
“Tudo começou quando virou febre entre os alunos o uso de um papiro que permitia que eles se comunicassem a distância. Eu era professor na Escola de Magia de Zagreus. Sim, eu sei...ninguém me imagina dando aula, mas para seu conhecimento, sou um excelente professor. Pois bem, eu iria dar aula por dois anos, estava pagando um favor pra minha amiga diretora, a Srta. (o T era muito importante de ser incluído) Lindala Chuva Fresca.
Eu gostava bastante da escola, era bastante inclusiva, fornecia muitas bolsas de estudo e existiam professores caçadores de talento, andavam pelo reino em busca de crianças e adolescentes com talento para magia. Mas voltando ao problema, esses pergaminhos tornaram minha vida um inferno, os alunos já eram preguiçosos, principalmente os nobres. Qualquer manchinha de cerveja na minha barba, já me enchiam o saco. Um anão não pode nem mais ter seus momentos de lazer, uma estapafúrdia!
Eu já sabia que as pessoas criavam grupos com a assinatura magica de cada pergaminho e as mensagens eram enviadas para todos vinculados a eles. No grupo de professores, começaram a dizer que os alunos estavam enviando mensagens a todo momento, para qualquer chance inimaginável de motivos para não terem aula, eu estava tranquilão, achava até graça, até que descobriram a assinatura mágica do meu.
Loucura, LOUCURA!! Aquela notificação mental toda hora ressoando na minha cabeça, já não me bastava a enxaqueca pela ressaca, agora eu tinha quando estava sóbrio. Cada mensagem mais revoltante que a outra. Então coloquei meus dotes persuasivos e de obtenção de informação pra rolo...bem, não eu diretamente. Eu só queria ser mais objetivo...”
-- Glock, conta a verdade logo e resolve nosso problema. Eu tô me sentindo esquisito, é como se estivesse difícil de respirar aqui dentro. – Comenta Régi interrompendo minha esplêndida narrativa.
-- Isso daí é coisa da sua cabeça, mas é só parar de me interromper que termino mais rápido, continuando...
“Estava eu, na sacada do meu quarto que, por pura coincidência, ficava em cima da taverna, fumando no meu belíssimo cachimbo feito de marfim quando avisto um gato pulando pelos telhados, o bicho era enorme, seu comprimento era quase da minha altura. O bichano ainda usava um chapéu, que parecia colado na sua cabeça, nem balançava em cada salto. Pior, ele começou a vir na minha direção, saltou dentro da minha sacada e ficou em pé, sobre dois pés, tô te dizendo.
Seus olhos brilhantes e sagazes me inspecionam de baixo a cima, me lembrando das belas moças da minha cidade natal. Ele faz uma reverência espalhafatosa tirando e girando o chapéu na mão. Em sua cintura tem um cinto que também não faço ideia de como fica preso nessa barriguinha, sem que ele use calças.
-- Es um placer, conhece-lo professor Glockenspiel- se apresenta o gato com uma voz ronronada, “nada mal”.
-- Primeiramente, por que você corre de 4 e fica parado em duas pernas? Segundamente, quem ousa interromper meu dejejum?
-- Soy una oportunidad...
-- Pode parando, pode parando. Não tô entendendo bulhufas do que você está falando e não estou a fim de usar uma magia para isso. E não rosna pra mim!
-- Perdão senhor, a língua natal sempre fala mais alto. Eu quis dizer que sou uma oportunidade para o senhor e... quanto a outra pergunta, acho um pouco indecorosa.
-- Porra, tu anda com um dicionário por aí?
-- Há alguns anos eu...
-- A pergunta era retórica, meu filho. Me fale dessa tal oportunidade, só não venha me dizer que ta vendendo biscoito.
-- Bem, como o senhor já deve saber, alguns professores andam bem irritados com os alunos e est~~ao procurando informações para eles pararem com o pedantismo e cumprirem suas obrigações. Resumindo, eu tenho cópias de pergaminhos com assinaturas que fazem parte dos grupos deles. O senhor teria interesse em obter o da sua turma?
Coço a barba e quase queimo a mesma com o cachimbo “Por que eu estou contando isso?”. Até que não é má ideia, ficaria sabendo o que andam falando de mim e poderia usar contra os mesmos, talvez mostrar para os pais. Acho que não estaria fazendo nada de errado, a final só quero que cumpram as obrigações como alunos e parem de me encher o saco.
-- Talvez sua oferta não seja ruim, quanto tá custando isso daí?
-- Míseras 10 peças de ouro.
-- Mas isso é um assalto!
-- Senhor, eu estou vendo, ali em cima da sua cama, que possui um, então sabes o preço de tal item mágico. – eu juro que vi um sorriso safado na cara desse gato.
-- Tudo bem, eu pago, mas como vou saber que amanhã esse pergaminho não vai parar de funcionar?
-- Dou a minha palavra, senhor. – Ele coloca a patinha sobre o lado esquerdo do peito.
-- Sua palavra tá muito malandrinha pro meu gosto. Esse chapéu aí, você parece que anda com ele pra baixo e pra cima.
-- Sim, es meu bem mais precioso.
--Então me empresta ele aqui.
Estico a mão esperando o chapéu, ele a encara, claramente receoso. Retira da cabeça, olha mais alguns segundos para ele e coloca na minha mão sem solta-lo.
-- Senhor, se danificar o meu chapéu de alguma forma, ganharás um inimigo para vida toda e eu possuo 9 vidas.
-- Fica tranquilo, não precisa nem soltar ele.
Toco em cima do chapéu, me concentro fazendo gestos com a mão que segura o cinzeiro, sussurro as palavras necessárias e conjuro o encantamento.
-- Pronto, pelos próximos dias vou saber exatamente onde o gatinho estará. Toma suas 10 moedas de ouro.
Ele relaxa e põe o chapéu novamente em sua cabeça, parece não se incomodar com ser localizado. Ou será que ele já tem um plano? Ele pega uma bolsa miúda, mas insere o braço e a própria cabeça la dentro. Minutos depois volta segurando um pergaminho que me entrega.
-- Negócio fechado, aqui está o pergaminho do grupo da sua turma. Aconselho a apenas observar.
-- HE! Obrigado gatinho, mas como tu sabia qual era o da minha turma?
-- Eu preciso ler para ter certeza do funcionamento. – Ele fala saltando para o parapeito da varanda.
-- Faz sentido. Ei, Ei, Ei...vai embora e não irá dizer seu nome?
-- Mil perdões, onde está minha educação? Yo soy... – eles fitam os olhos um do outro, o silêncio preenche o ambiente, eu tenho certeza que ele está fazendo isso de propósito e se achando um máximo - ... Lesto.
Lesto então sai pulando pelos telhados e some de vista, eu guardo meu cachimbo, abro o pergaminho e começo a procurar pela data da última prova...
-- Pirralhos malditos!! Eu sabia! Eles estavam usando o pergaminho durante a prova.
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Notas do Bardo
“Dizem que o rei proibiu pergaminhos com luz própria, alegando que retiram a produtividade dos camponeses. Mal sabe ele que estamos todos apenas esperando o próximo episódio das Crônicas de Dragão-Z.”
